200 KZ PARA  PERNOITAR, NO CHÃO,  DEFRONTE DOS HOSPITAIS 

Os acompanhantes de pacientes são obrigados a pernoitar ao relento defronte às unidades hospitalares de Luanda por alegada falta de espaço no interior da instituição para albergá-los. Para o efeito, são obrigados a pagar 200 kzs para terem acesso a uma cama improvisada de papelão nos arredores do hospital para dormir. A situação tem causado enormes constrangimentos aos parentes que acorrem a estes espaços sanitários à procura de cura das enfermidades que acometem o estado de saúde dos seus entes.

Por Berlantino Dário e Malaquias Mizalaque

Nos principais hospitais da capital como o Hospital Geral de Luanda e a Maternidade Lucrécia Paim, e um pouco por todo o país, os familiares de pacientes dormem defronte dos hospitais com abrigos improvisados com papelão e sacos de diversos produtos.

Do lado de fora de algumas destas unidades hospitalares da capital, os acompanhantes transformam os passeios e jardins em locais improvisados para esperar pela notícia de seu familiar hospitalizado, situação que os leva a passar a noite nesses locais. Sem alternativas de acolhimento, muitos recorrem a pedaços de papelão adquiridos por 200 kwanzas aos “mixeiros”, indivíduos responsáveis pelos espaços, bem como panos ou sacos para se protegerem do frio e da chuva.

No hospital Geral de Luanda, situado na zona da Camama, por exemplo, os familiares dos pacientes, falando ao Folha 8, afirmaram que permanecem nas imediações do hospital porque não possuem condições financeiras para deslocações diárias entre casa e hospital. Alguns vêm de zonas que distam mais de 10 km do hospital e até de outras províncias, o que os obriga a permanecer nas proximidades durante dias ou semanas.

“Somos obrigados a dormir aqui fora porque os seguranças e o hospital em si, não nos permitem ficar dentro do hospital com os nossos familiares doentes”, salientou ao Folha 8, Maria Baptista, acompanhante de um paciente hospitalizado descrevendo que passamos frio e insegurança, mas que já não vejam outra alternativa.

“Precisamos de estar perto para acompanhar o estado de saúde deles” justificou a acompanhante residente no bairro Dangereux, município de Talatona, que já se encontra há mais de três dias no Hospital Geral de Luanda.

Acto contínuo, tal situação verifica-se defronte do hospital de maternidade Lucrécia Paim, onde familiares de recém-nascidos e parturientes passam as noites ao relento enquanto aguardam por informações médicas sobre o estado de saúde dos seus entes queridos. Sem quaisquer estruturas de apoios para descanso, muitos recorrem a meios improvisados para suportar a madrugada, chegando mesmo a pagar cerca de 200 kwanzas para adquirir um pedaço de papelão que lhes sirva de colchão nos arredores da respectiva maternidade.

“Somos obrigados a comprar papelão por 200 kwanzas para conseguir deitar um pouco no chão. Passamos a noite aqui fora e ao frio, apenas à espera de notícias dos nossos familiares internados”, lamentou Valdemar Joaquim, outro acompanhante.

Para Teresa Afonso, igualmente acompanhante, salienta que ficam naquele perímetro afecto à maternidade, “porque queremos acompanhar as nossas filhas, irmãs e netas que já deram à luz e que ainda estão internadas. Pagamos papelão para dormir no chão, porque não existe nenhum espaço para os acompanhantes descansarem”, sublinhou.

Diante deste cenário, os familiares e acompanhantes instaram as autoridades competentes para a criação de espaços de acolhimento nas unidades hospitalares, que garantam condições mínimas de dignidade para quem acompanha pacientes internados.

Entretanto, enquanto as soluções não chegam vários cidadãos “oportunistas” continuam a transformar os arredores dos hospitais de Luanda em dormitórios improvisados, numa realidade que expõe as persistentes e contínuas fragilidades no sistema nacional da saúde.

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